Quais os cinco "melhores ou mais importantes" filmes ambientados em São Paulo?
Qualquer época. Sinceridade, por favor
Alguém tem email do Mosquera?
É meu guia pelo Jabaquara.
Banco de trás, conversa entre rapaz e mulher, 20 e poucos.
"Ela disse que o médico perguntou o que ela tinha"
"E aí?"
"Ai doutor, estou sentindo meu coração"
"Ela disse isso?"
"Disse"
Em outro banco de trás, uma mulher não comprou o computador porque o Windows era a vista. Correção da moça ao lado. Windowsvista. Interrogação, explicação, risos em dueto.
Corredor da Rebouças, 19h, Weekend de Godard, na quarta-feira. Vertov na cabeça, a cabeça com a câmera, a experiência mediada e "mediatizada", logo sendo intermediada por uma observação-narrativa, pelo olhar para a experiência como massa de modelar em linguagem, palavras, sons e imagens.
Fetiche pelo micro, pelo menos, pelo menor, pelo vestígio migalha de cultura, de sociedade, de classe, de indivíduo, concentrados em momentos, em cenas, em reações e atitudes?
Ou uma experiência?
O blog tem uma hierarquia vertical. Para se pensar posts em conjunto, relacionados, é sempre do último para os anteriores.
Em "Regressão", o Jabaquara é mencionado. Com ele, Rosa e Benjamin.
Rosa e Benjamin são casal, mais de 65, moram no Jabaquara, sob cabeceira de písta de aviões, Congonhas.
Têm uma neta chamada Nina.
Uma casal em uma casa no Jabaquara, a casa sob Congonhas, um novo vizinho, notícia de novo prédio, alguma mudança em casa e no casal. Mudanças, permanências, casa, aeroporto, cidade, um casal.
Rosa e Benjamin começa a ser filmado em novembro. Alguém tem casa disponível no Jabaquara?
Vamos ver se o Mosquera, da região, é bom de vizinhança.
Síndrome de desatenção para palavras é regra
Ninguém percebeu, ou não se manifestou, sobre a síndrome do blog
Em "Da Leopoldina a Ana Rosa", chineses e coreanos são confundidos, mais de uma vez, sem nenhuma intenção. A linguagem introjeta seu assunto. Percebido somente algum tempo depois.
Não deixa de ser uma forma da própria linguagem desmentir a certeza e reduzi-la a uma confusão impressa disfarçada de afirmação segura.
Eram chineses no ônibus, sem dúvida.
No metrô, coreanos.
Mas a troca, proporcionada pela linguagem, deixou melhor
No Parque da Aclimação, uma minoria fala o português. Ao menos às 7h da manhã. Vá e veja. O Oriente está na esquina. Vira filme, ainda.
Depois de longo hiato, retorno dos olhos sobre Sampa. No retorno, porém, regressão. Em vez de olhos sobre Sampa, Sampa para dentro do olhar. Papéis de 20 anos. Pré-faculdade, na faculdade. Poesias, crônicas, críticas. Papéis e mais papéis, à mão, à maquina ("batidos à máquina"), pré micro, razurados, palavras substituídas, fantasmas sob o rabisco, ruínas de sensibilidades e pensamentos. No micro, adeus rabiscos, fantasmas, ruínas, processos. Tudo já pronto. Resistência pelo à mão.
No trem de Santo Amaro a USP, melhor transporte de São Paulo, roteiro é desovado aos jorros. Estava esboçado, mas sem cenas, só com imagens. Esboço mental. No trem, de pé, durante 45 min, à mão, primeira versão. Falta entrar a vida. De um esquema, em alguma medida, para a experiência. Da imagem para o que há antes e para além das bordas. Antes e bordas na imagem. Falso "libertarismo" as bordas e o extracampo. Tudo está lá, mais ou menos aprisionado, mas está lá.
Ao lado, enquanto roteiro é desovado, um telefonema. Rapaz forte, músculos cultivados, tatuagem no pulso, preocupado com a atitude, fala com moça. Começa ríspido, palavras encobertas pelo som ambiente, tom de ameaça: "Se você.........."
Alguma elipse sonora aborta o momento x da virada. Quando a voz retorna, o tom é amanteigado, ou amanteigou-se com a coincidência geográfica: o trem em deslocamento em frente a janela do prédio onde a moça trabalha. Assim suposto pela conversa. " Dá tchauzinho para eu te ver".
Ter é perder. Perder é sensação. Sentimento de perda. Verbo porque ação. Sentimento + ação. Sensação.
Não ter e perder, constante juvenil. Está nos papéis da regressão. Está por ai. A constância se prolonga ou se amacia. Desaparece, quem sabe. Para uns, não para outros.
Seria possível uma ficção com aquele telefonema. Trem, personagem de periferia, sub-proletário, sem carteira assinada, namorada secretária, carteira assinada, quase vizinha. O trem passa pela janela. Tchauzinho. Fim. Próximo roteiro. O que aconteceria em um vagão no trem dos Lumiere em 2008? Nunca ninguém ficionalizou a experiência de um personagem que está dentro desse trem e é filmado quando passa diante da câmera dos irmãos Luz?
"Cortaaaaaaaaa. Pede para o trem dar a ré e chegar de novo porque aquele senhor olhou demais para a câmera?" Fim.
Encontrado nos papéis da regressão. Sob o título: "Idéia para um video minuto na Luz. Sugestão: O Trem da Luz."
Luz/Lumiere: coisas de jovens.
Da Luz para a Paulista, encontro com Mosquera. Vai lá longe. Cabelo aparado. Ninguém anda mais que o Mosquera como se sabe, sempre pelas ruas, à vontade em seu quintal urbano, talvez por morar perto de avião, sensação de deslocamento no risco.
Se entrar na lan house, é o Mosquera
Entrou. É o Mosquera.
Conversa agradável, sobre cidade, sobre as moças que agarram na rua, não pela agarração, mas para oferecer empréstimos, e nem pense em outro empréstimo, porque esse não se empresta, é a fundo perdido.
Marcamos de andar pelo Jabaquara, cabeceira de aviões, lá pelas vizinhanças do Mosquera, onde ele nunca está, porque está sempre caminhando por seu quintal urbano.
Tá marcado. Quem sabe encontramos Rosa e Benjamin.
Perdi email do Mosquera.
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