Concretinismo

 

Um erro leva a uma forma, como se vê no post abaixo

 

É o espírito de Campos em Olhos de Sampa

Os 5 mais em São Paulo - Parcial 1


Pode ser que sejam os primeiros, mas também os últimos, por isso segue parcial.

 

Para vocês, a imagem de uma italomoquense, camisa do Juventus, no monitor de um montador, um japonês, que se apaixona pela imagem.

 

Cineastas em atividade, curtas metragens sobretudo, abram o olho para São Paulo!

 

 

 

São Paulo SA 3,

FilmeDemência2

, O Grande Momento 2

Com um, tem de Sganzerla e Candeias a Beto Brant e Sergio Toledo

 

 


[mosquera] [franmosquera@gmail.com]
São Paulo S.A .. unico e definitivo .


 [Marcelo Lyra] [www.rapaduradehumor.zip.net]
São Paulo SA, Filme Demência, Vera, O Grande Momento; O Olho Mágico do Amor


[Giannini] [alessandro.giannini@gmail.com] [www.lexicon80.blogspot.com]
1) São Paulo S.A. 2) O Invasor 3) O Grande Momento 4) São Paulo - Sinfonia e Cacofonia (?) 5) Urbânia

[Filipe] [filipefurtado@uol.com.br]
Filme Demencia O Jogo da Vida Zézero Bandido A Margem
Eleição de Filme Paulistano

 

 

 

Quais os cinco "melhores ou mais importantes" filmes ambientados em São Paulo?

Qualquer época. Sinceridade, por favor

Mosquera anda Sumido

Alguém tem email do Mosquera?

É meu guia pelo Jabaquara.

 

Banco de Trás

 

Banco de trás, conversa entre rapaz e mulher, 20 e poucos.

"Ela disse que o médico perguntou o que ela tinha"

"E aí?"

"Ai doutor, estou sentindo meu coração"

"Ela disse isso?"

"Disse"

 

Em outro banco de trás, uma mulher não comprou o computador porque o Windows era a vista. Correção da moça ao lado. Windowsvista. Interrogação, explicação, risos em dueto.

Corredor da Rebouças, 19h, Weekend de Godard, na quarta-feira. Vertov na cabeça, a cabeça com a câmera, a experiência mediada e "mediatizada", logo sendo intermediada por uma observação-narrativa, pelo olhar para a experiência como massa de modelar em linguagem, palavras, sons e imagens.

Fetiche pelo micro, pelo menos, pelo menor, pelo vestígio migalha de cultura, de sociedade, de classe, de indivíduo, concentrados em momentos, em cenas, em reações e atitudes?

Ou uma experiência?

 

 

 

Rosa e Benjamin no Jabaquara

 

O blog tem uma hierarquia vertical. Para se pensar posts em conjunto, relacionados, é sempre do último para os anteriores.

 

Em "Regressão", o Jabaquara é mencionado. Com ele, Rosa e Benjamin.

Rosa e Benjamin são casal, mais de 65, moram no Jabaquara, sob cabeceira de písta de aviões, Congonhas.

Têm uma neta chamada Nina.

Uma casal em uma casa no Jabaquara, a casa sob Congonhas, um novo vizinho, notícia de novo prédio, alguma mudança em casa e no casal. Mudanças, permanências, casa, aeroporto, cidade, um casal.

 

 

Rosa e Benjamin começa a ser filmado em novembro. Alguém tem casa disponível no Jabaquara?

Vamos ver se o Mosquera, da região, é bom de vizinhança.

 

 

 

ERRATA

Síndrome de desatenção para palavras é regra

Ninguém percebeu, ou não se manifestou, sobre a síndrome do blog

Em "Da Leopoldina a Ana Rosa", chineses e coreanos são confundidos, mais de uma vez, sem nenhuma intenção. A linguagem introjeta seu assunto. Percebido somente algum tempo depois.

Não deixa de ser uma forma da própria linguagem desmentir a certeza e reduzi-la a uma confusão impressa disfarçada de afirmação segura.

Eram chineses no ônibus, sem dúvida.

No metrô, coreanos.

Mas a troca, proporcionada pela linguagem, deixou melhor

 

No Parque da Aclimação, uma minoria fala o português. Ao menos às 7h da manhã. Vá e veja. O Oriente está na esquina. Vira filme, ainda.

 

 

 

 

REGRESSÃO

        

Depois de longo hiato, retorno dos olhos sobre Sampa. No retorno, porém, regressão. Em vez de olhos sobre Sampa,  Sampa para dentro do olhar. Papéis de 20 anos. Pré-faculdade, na faculdade. Poesias, crônicas, críticas. Papéis e mais papéis, à mão, à maquina ("batidos à máquina"), pré micro, razurados, palavras substituídas, fantasmas sob o rabisco, ruínas de sensibilidades e pensamentos. No micro, adeus rabiscos, fantasmas, ruínas, processos. Tudo já pronto. Resistência pelo à mão.

       

No trem de Santo Amaro a USP, melhor transporte de São Paulo, roteiro é desovado aos jorros. Estava esboçado, mas sem cenas, só com imagens. Esboço mental. No trem, de pé, durante 45 min, à mão, primeira versão. Falta entrar a vida. De um esquema, em alguma medida, para a experiência. Da imagem para o que há antes e para além das bordas. Antes e bordas na imagem. Falso "libertarismo" as bordas e o extracampo. Tudo está lá, mais ou menos aprisionado, mas está lá.

 

Ao lado, enquanto roteiro é desovado, um telefonema. Rapaz forte, músculos cultivados, tatuagem no pulso, preocupado com a atitude, fala com moça. Começa ríspido, palavras encobertas pelo som ambiente, tom de ameaça: "Se você.........."

Alguma elipse sonora aborta o momento x da virada. Quando a voz retorna, o tom é amanteigado, ou amanteigou-se com a coincidência geográfica: o trem em deslocamento em frente a janela do prédio onde a moça trabalha. Assim suposto pela conversa. " Dá tchauzinho para eu te ver".

 

Ter é perder. Perder é sensação. Sentimento de perda. Verbo porque ação. Sentimento + ação. Sensação. 

Não ter e perder, constante juvenil. Está nos papéis da regressão. Está por ai. A constância se prolonga ou se amacia. Desaparece, quem sabe. Para uns, não para outros.

 

Seria possível uma ficção com aquele telefonema. Trem, personagem de periferia, sub-proletário, sem carteira assinada, namorada secretária, carteira assinada, quase vizinha. O trem passa pela janela. Tchauzinho. Fim. Próximo roteiro. O que aconteceria em um vagão no trem dos Lumiere em 2008? Nunca ninguém ficionalizou a experiência de um personagem que está dentro desse trem e é filmado quando passa diante da câmera dos irmãos Luz?

"Cortaaaaaaaaa. Pede para o trem dar a ré e chegar de novo porque aquele senhor olhou demais para a câmera?" Fim.

Encontrado nos papéis da regressão. Sob o título: "Idéia para um video minuto na Luz. Sugestão: O Trem da Luz."

Luz/Lumiere: coisas de jovens.      

 

Da Luz para a Paulista, encontro com Mosquera. Vai lá longe. Cabelo aparado. Ninguém anda mais que o Mosquera como se sabe, sempre pelas ruas, à vontade em seu quintal urbano, talvez por morar perto de avião, sensação de deslocamento no risco.

Se entrar na lan house, é o Mosquera

Entrou. É o Mosquera.

Conversa agradável, sobre cidade, sobre as moças que agarram na rua, não pela agarração, mas para oferecer empréstimos, e nem pense em outro empréstimo, porque esse não se empresta, é a fundo perdido.

Marcamos de andar pelo Jabaquara, cabeceira de aviões, lá pelas vizinhanças do Mosquera, onde ele nunca está, porque está sempre caminhando por seu quintal urbano.

Tá marcado. Quem sabe encontramos Rosa e Benjamin.

 

Perdi email do Mosquera.

DA LEOPOLDINA A ANA ROSA

 

 No ônibus do Rio para São Paulo, uma quarta feira, 7hs, dois jovens casais de chineses e dois rapazes nigerianos. Os coreanos, poltronas da frente. Os nigerianos, do fundo. Não falam português. Nem os asiáticos. Nem os africanos.

 Ilana pergunta: como sabe que são coreanos?

 Eu me pergunto: como sei que são nigerianos?

 Para quem passou até agora 22 anos na Aclimação, 22 anos com interrupções, faz parte da cultura da intuição, digamos assim, saber a diferença entre chineses, japoneses e coreanos, sobretudo se não falam o português.

 Não se trata de nenhuma fórmula lógica, mas simplesmente se sabe, seja pela sonoridade ao falarem, seja por alguns dados de aparência, que não serão aqui colocados, porque, no fundo, são dados apreendidos de forma sensorial, não com os extremos generalizantes da racionalidade.

São chineses, sem dúvida, resposta a Ilana.

Ajuda a identificação de origem o fato de nos últimos anos ter percebido a explicitação da presença chinesa no Rio. Mal falam o português. Costumam ser encontrados, por mim pelo menos, em lojas de suco e de acaí. E em uma pastelaria em frente ao Espaço Unibanco de Cinema em Botafogo.

Já os nigerianos, falavam uma língua estranha a mim, mas, eventualmente, passavam para o inglês. Como também já havia lido sobre o trânsito de nigerianos na ponte rodoviária, como já havia presenciado nigerianos nesse percurso de cá para lá e de lá para cá, supus sem questionar:

São nigerianos.

 E deveriam ser mesmo.

 No metrô em São Paulo, na Tiradentes, entram quatro coreanos. Nenhum fala o português. Falam alto, rápido, são exteriorizados, um de cabeço em pé e todo desfiado, ocidentais até as unhas dos pés, mas coreanos.

 Se entraram na Tiradentes, suponho, são lá do Bom Retiro, antigo espaço dos judeus da área de tecidos, hoje ocupado por coreanos e bolivianos, esses, segundo se denuncia constantemente, mão de obra escrava na tecelagem.

Na Liberdade, entra um grupo de adolescentes, mocinhas, umas mais cheinhas, outras mais formosas, uma delas líder da turma, a mais produzida, de calça justa, botinha e cabelos jogados nos olhos, lisos e negros, pintados certamente, em um estilo meio mangá.

É morena. Pode ser mineira, goiana, matogrossense, carioca, do litoral ou do agreste, do sertão ou do urbanidade sem mar, bem brasileira, de qualquer forma, se pensarmos na brasilidade feminina estereotipável.

 Se entrou na Liberdade, suponho que lá estuda, porque entrou de mochila, atitude alegre de quem encerrou dever com as aulas, isso por volta de 13h15.

Se estuda na Liberdade, supus, copiou o cabelo de alguma japonesa, ou é fã de mangá, porque nessa idade a cópia é uma afirmação de pertencimento. Importante escolher, entre tantos modelos, quem se copia.

Ao estilo Antônia, ela e amigas cantam Shakira, pop latino de maior apelo no fim dos 90.

Nipolatina do agreste urbano. 

Poderia ser o nome da bandinha dela, da líder da turminha, mas, claro, talvez ela nem pense em ser cantora, talvez seja apenas mais uma paulistana, mais uma imagem nessa cidade de tantas imagens, imagens distintas, imagens em convivência.

 

DESLOCAL

 

 

Para não paracer um ET, algumas informações:

Sem carro, sem muito deslocamento, sem congestionamentos, residência próxima ao metrô Ana Rosa, proximidade do Parque da Aclimação, prédio do Niemayer, vizinho da melhor pizza de marguerita da face da Terra, 20 e poucos reais, com o tomate por baixo da mussarela, sem palavras.

Se muitos, com razão, bufam, por aqui, não sem razão, encanta-se. Encanto-me. Em meu canto.

Deslocamento. Deslocar-se. Des local.

 

 

Diferenças de locais:

 Filmes ambientados no Rio, quando alguém morre, morre por questões "sociais": tráfico, diferença de classes, coisas assim

Filmes ambientados em SP, quando alguém morre, dinheiro e classe não é questão: a questão está emuma patologia qualquer, do tipo Isabella, mas não tão ficional assim, ou morre em carro ou por carro.

Primeiro caso: Um Céu de Estrelas: ex-noiva de partida para Miami mata ex-noivo que matara sua mãe

Segundo Caso: Em Trânsito (Henri Gervasseau), Os 12 Trabalhos (Ricardo Elias), Não por Acaso (Philippe Barcinsky), Bodas de Papel (André Sturm), Via Láctea (Lina Chamie).

Uma entre exceções possíveis: De Passagem (Ricardo Elias), no qual o adolescente, já morto no começo do filme, morre por mãos bandidas.

  

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